A inumanidade nos humanos, às vezes assemelha-se ao
universo. Não sei se tem limites.
Ontem lia uma publicação no Facebook sobre ser-se solidário
com o povo da faixa de Gaza a ser bombardeado. Não se trata de ser
pro-Palestiano, anti-Israelita, pro-Hamas ou anti-semita. Trata-se de ser
anti-humano. Quando somos indiferentes ao problema. Ontem noticiou-se que uma
escola da ONU foi bombardeada e morreram crianças. A morte, o fim de uma vida
já não deve preocupar, por razões não naturais, ainda para mais quando são
crianças.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, criticou severamente
o ataque e mencionou que “a localização da escola foi comunicada 17 vezes às
autoridades militares israelitas, a última vez horas antes do ataque”. 17
vezes? Portanto, supondo do pressuposto (real) que não houve falha de
comunicação o que levou a este ataque? As declarações de um responsável das
autoridades israelitas mencionavam que foram lançados morteiros de uma
localização, perto da escola. Isto justifica um ataque? A escalada de violência
para supostamente inutilizar todos os túneis que ?
As perguntas são retóricas, mas julgo que nada, mas nada,
justifica a perda de uma vida, por uma guerra. Quando são crianças, faz-nos
reflectir ainda mais. Quais são os valores que serão incutidos nas crianças que
sobreviveram? Revolta para com os israelitas? Ódio? Sede de vingança?
Ban Ki-moon reiterava “que sejam apuradas as
responsabilidades e que seja feita justiça”. Os responsável deverão ser identificados
e criminalizados, claramente. Mas devemos de uma vez por todas compreender que
violência gera mais violência. A forma como as notícias são construídas
incentivam sentimentos de ódio e indignação. Quando não o deveriam. O apelo
deveria ser à paz, não a revolta. As semelhanças, não às diferenças.
Faço a pergunta, os israelitas são maus? Antes dessa faço
outra pergunta, já conheceu algum israelita? Já falou com algum israelita? Eu
tive um colega de escola de origens israelita e era uma pessoa pacífica e até
bastante inspiradora. Que coisa é esta de “bons” e “maus”?
Por isso julgo que devemos exigir justiça, claro, mas antes
devemos exigir sempre primeiro paz.
Exigir justiça não no sentido de vingança ou compensação, mas sim no
sentido de responsabilização por actos inumanos. Exigir paz não no sentido
temporário, que actualmente vemos, mas sim paz duradoura.
Senão respeitamos seres iguais a nós, então não sei o
que devemos respeitar. A indiferença é
conivência. Por isso, é importante fazer algo. Não interessa se é para
partilhar a mensagem ou mobilizar-se activamente. Todos os gestos contam. Como
alguém disse um dia "o caminho faz-se caminhando".
Emanuel Correia Balsa
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