O primeiro passo para este projecto foi dado ainda no decorrer do ano de 1951 com a criação de uma associação para a produção e consumo do carvão e do aço, matérias-primas indispensáveis para o desenvolvimento da economia. Na verdade, tanto o carvão como o aço eram cruciais para a construção de infraestruturas, locomotivas, fábricas, automóveis, hospitais e, por isso, imprescindíveis para a reconstrução do território europeu, em ruínas naquele período.
Nos anos seguintes, foram dados muitos outros passos importantes nesse sentido, tornando os países europeus cada vez mais integrados num único espaço. A título de exemplo, foi criada uma união aduaneira; foi instituída a livre circulação de mercadorias, de pessoas, de capitais e de serviços; foi implementado o direito de cidadania europeia; e, porventura, o mais controverso de todos os exemplos passou pela criação de uma moeda única, o euro.
Todos nós vivemos agora num espaço bastante mais integrado, onde as fronteiras geográficas e os obstáculos à nossa mobilidade deixaram praticamente de existir… Mas a Europa deve ir para lá de tudo isto, porque foi assim que foi pensada! O que falha então neste projecto de construção, de unificação e de integração da Europa? Neste momento, falha muita coisa, sobretudo porque a Europa tem seguido um caminho que se desvirtua claramente dos objectivos que estão na origem da sua criação.
Temos actualmente uma Europa a duas velocidades, onde os países do Sul têm sido fustigados por medidas de austeridade sem precedentes, as quais têm acentuado o clima de crispação entre os povos. Temos actualmente uma Alemanha, hegemónica por a sua economia continuar a crescer. Temos actualmente uma Grécia, ferida por ninguém lhe ter estendido a mão. Já não há união, mas desunificação? Temos actualmente uma Europa, que depende essencialmente das vontades e dos preceitos da Sra. Merkel, negligenciando-se as necessidades de todos os outros povos. Já não há uma visão de construção, mas de desconstrução? Temos actualmente um conjunto de países descontentes com o projecto europeu, que colocam inclusivamente em causa a viabilidade e manutenção no euro. Já não há integração, mas desintegração?
Está na hora de repensarmos aquilo que queremos da Europa. Está na hora da Europa pensar aquilo que quer de nós e aquilo que tem para nos oferecer. Está na hora da Alemanha pensar o quer da Europa. Está na hora da Europa pensar o quer da Alemanha. Está na hora! Ainda vamos a tempo?
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